Serei burro?
Provavelmente.
Não porque sejas particularmente especial, mas porque estatisticamente isso é sempre uma hipótese respeitável.
Aqui no Observatório não usamos “burro” como insulto clínico nem como diagnóstico definitivo. Usamos como uma descrição temporária para aquele estado mental muito humano em que achamos que percebemos tudo, temos a certeza absoluta de algo complexo… e estamos redondamente enganados.
A burrice manifesta-se de várias formas subtis: quando confundimos opinião com facto, quando escolhemos a explicação mais confortável em vez da mais verdadeira, quando repetimos argumentos porque “toda a gente diz”, quando sentimos que estamos do lado certo antes mesmo de sabermos qual é a pergunta.
Não é uma falha moral. É um reflexo.
A boa notícia é que ninguém está permanentemente burro.
A má notícia é que ninguém está permanentemente imune.
Se esta página te pareceu obviamente dirigida a “outras pessoas”, isso é um excelente indicador.
Porque a burrice raramente se reconhece ao espelho — reconhece-se quase sempre ao longe.